PRÉMIOS 2
O meu amigo e escritor, Carlos Barbosa, pede-me que comente a recusa do prémio Camões pelo escritor angolano, Luandino Vieira.
Não tenho nada a dizer. os prémios são nada. Ninguém que escreva para ser aclamado pelos seus contemporâneos chegou alguma vez à posteridade. Luandino terá recusado em função de viver uma vida que não precisa de honrarias (nem dos 100.000 euros). Não é o primeiro. Herberto Helder, o nosso maior poeta vivo, recusou o prémio Pessoa (altamente remunerado, igualmente) há vários anos atrás.
Que eles têm razão, não me oferece dúvidas.
Que a maioria de nós não teria o mesmo discernimento, também...
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
26 de maio de 2006
23 de maio de 2006
TAMBÉM PERCEBO DO CÓDIGO (ACHO...)
Depois de ler atentamente a revista Visão (nomeadamente uma caixa agressiva em que a/o jornalista atacava à dentada a Sofia Aparício por esta se dispôr a participar numa manifestação contra as touradas - abra-se aqui um parentesis para referir que a actriz-modelo, pode não ser grande a representar, mas que sabe muito bem aguentar-se com as tentativas de apoucamento, serôdias, isso sabe) julgo ter descoberto mais uma infiltração da opus dei. É nos produtos de beleza para homem.
Ora repare-se neste anúncio da Vichy: "A firmeza da pele depende do seu stock de silício - SILICIUM - R".
Sou capaz de ir escrever um bestseller (daqui até logo à tarde, no máximo) sobre o assunto...
"CODEX CILLICIUM" seria um bom título.
Depois de ler atentamente a revista Visão (nomeadamente uma caixa agressiva em que a/o jornalista atacava à dentada a Sofia Aparício por esta se dispôr a participar numa manifestação contra as touradas - abra-se aqui um parentesis para referir que a actriz-modelo, pode não ser grande a representar, mas que sabe muito bem aguentar-se com as tentativas de apoucamento, serôdias, isso sabe) julgo ter descoberto mais uma infiltração da opus dei. É nos produtos de beleza para homem.
Ora repare-se neste anúncio da Vichy: "A firmeza da pele depende do seu stock de silício - SILICIUM - R".

Sou capaz de ir escrever um bestseller (daqui até logo à tarde, no máximo) sobre o assunto...
"CODEX CILLICIUM" seria um bom título.
PRÉMIOS
Não serve de nada, uma vez que as vendas de um livro não aumentam com prémios e muito menos com críticas (já com polémicas cretinas nos jornais a coisa pode ajudar...), mas ainda assim registo com agrado a atribuição do prémio APE (Associação Portuguesa de Escritores) ao poeta José Agostinho Baptista. Uma escrita para lá da neve suja em que metemos todos os pés.
Não serve de nada, uma vez que as vendas de um livro não aumentam com prémios e muito menos com críticas (já com polémicas cretinas nos jornais a coisa pode ajudar...), mas ainda assim registo com agrado a atribuição do prémio APE (Associação Portuguesa de Escritores) ao poeta José Agostinho Baptista. Uma escrita para lá da neve suja em que metemos todos os pés.
APITAS BEM MAS...
Notícia do Público: "O processo Apito Dourado está suspenso por decisão do juiz do Tribunal de Gondomar. A suspensão foi determinada depois de Carlos Teixeira, o magistrado do Ministério Público titular dos autos, avançar, ele próprio, com um pedido de escusa, argumentando que não tem condições para continuar a liderar a acusação pública.". A decisão passou agora para o superior do referido juiz... em Gondomar.
É preciso fazer algum comentário a isto? Ou (hipótese mais risível) prever o desfecho do único grande processo que tentou pôr a nu a óbvia relação entre o futebol e o dinheiro sujo?
Para quê? É o país que temos, com uma justiça que prefere a forma ao conteúdo. Ou não fosse esta a forma mais fácil de safar os peixes de esgoto do anzol.
Notícia do Público: "O processo Apito Dourado está suspenso por decisão do juiz do Tribunal de Gondomar. A suspensão foi determinada depois de Carlos Teixeira, o magistrado do Ministério Público titular dos autos, avançar, ele próprio, com um pedido de escusa, argumentando que não tem condições para continuar a liderar a acusação pública.". A decisão passou agora para o superior do referido juiz... em Gondomar.
É preciso fazer algum comentário a isto? Ou (hipótese mais risível) prever o desfecho do único grande processo que tentou pôr a nu a óbvia relação entre o futebol e o dinheiro sujo?
Para quê? É o país que temos, com uma justiça que prefere a forma ao conteúdo. Ou não fosse esta a forma mais fácil de safar os peixes de esgoto do anzol.
FILMES
Em época de acalmia de festivais (Cannes está longe da carteira e do coração) é tempo de ir de novo ao cinema comercial. É preciso é ter cuidado não se vá parar a uma sala com o pavoroso Código da Vinci (o homem deve estar às voltas na tumba...).
OS PRODUTORES foi uma escolha feliz, no domingo :)
ps. este é um dos posts mais insípidos de sempre... Mas horas de pinturas de parede, carregamento de latas e trinchas pelas ruas de Lisboa e um finalizar de dia a trabalhar no tratamento de um filme com deadline para quinta-feira só podia dar nisto...
(suspiro) Dias mais sábios virão.
Em época de acalmia de festivais (Cannes está longe da carteira e do coração) é tempo de ir de novo ao cinema comercial. É preciso é ter cuidado não se vá parar a uma sala com o pavoroso Código da Vinci (o homem deve estar às voltas na tumba...).
OS PRODUTORES foi uma escolha feliz, no domingo :)
ps. este é um dos posts mais insípidos de sempre... Mas horas de pinturas de parede, carregamento de latas e trinchas pelas ruas de Lisboa e um finalizar de dia a trabalhar no tratamento de um filme com deadline para quinta-feira só podia dar nisto...
(suspiro) Dias mais sábios virão.
21 de maio de 2006
FESTIVAL DA CANÇÃO
...Eu sei: não interessa nem ao menino Jesus, as canções são uma piroseira e por aí fora.
Mas um lado muito antigo nosso ainda faz com que se torça por Portugal e se gosta de ouvir "Chanson numero un: douze points" :)
Este ano, o Eládio Clímaco, surpreendentemente vivo, ia tendo uma síncope com a vitória da Finlândia e os seus "monstrinhos" (sic). Já não se fazem baladas como dantes, helàs... Pobre homem.
Portugal nem passou à final. Não se percebe por quê. Talvez por ter sido representado por um grupo onde ninguém sabia cantar, as coreografias serem de sexta-feira à noite entre amigas bêbadas e irem vestidas com umas coisas que só me ocorre classificar como "panquecas de penas"...
Não sou um especialista, mas sinto que houve aqui uma grande injustiça. Oh, lá!
...Eu sei: não interessa nem ao menino Jesus, as canções são uma piroseira e por aí fora.
Mas um lado muito antigo nosso ainda faz com que se torça por Portugal e se gosta de ouvir "Chanson numero un: douze points" :)
Este ano, o Eládio Clímaco, surpreendentemente vivo, ia tendo uma síncope com a vitória da Finlândia e os seus "monstrinhos" (sic). Já não se fazem baladas como dantes, helàs... Pobre homem.
Portugal nem passou à final. Não se percebe por quê. Talvez por ter sido representado por um grupo onde ninguém sabia cantar, as coreografias serem de sexta-feira à noite entre amigas bêbadas e irem vestidas com umas coisas que só me ocorre classificar como "panquecas de penas"...
Não sou um especialista, mas sinto que houve aqui uma grande injustiça. Oh, lá!
17 de maio de 2006
TUDO AO TOURIL
Com pompa, circunstância e contentamento geral, inaugurou-se o novo centro comercial de Lisboa, a praça do Campo Pequeno. Não deve haver macaco neste país que não esteja a pensar passar por lá, tal foi o cagaçal criado pelas televisões nacionais.
Este centro comercial tem uma particularidade, serve regularmente para torturar animais para gozo dos "aficionados". Foi aliás elucidativo ver as caras contentes do público colunável, ao escutar os instrumentos musicais que acompanhavam a entrada de vinte ou trinta centímetros de ferro no corpo de um animal. O sangue a jorrar, o La Féria a ganhar e o país que nós somos a saltar.
Até o Alberto João gostou. O que é dizer tudo.
Portugal está de novo no seu melhor: 200.000 (ou 400.000, conforme as fontes) em Fátima, a escutar um homem que conta como Nossa Senhora desceu dos céus e meteu a mão à frente arma que iria matar o papa da altura.
O fado é atacado em plenos pulmões, com mulheres e selins, meninas das tranças pretas e quejandas.
E a tourada volta em esplendor a alegrar os serões monótonos.
Só falta ressuscitar o Marcelo Caetano e as suas conversas em família para estarmos de novo no 24 de Abril de 1974...
Com pompa, circunstância e contentamento geral, inaugurou-se o novo centro comercial de Lisboa, a praça do Campo Pequeno. Não deve haver macaco neste país que não esteja a pensar passar por lá, tal foi o cagaçal criado pelas televisões nacionais.
Este centro comercial tem uma particularidade, serve regularmente para torturar animais para gozo dos "aficionados". Foi aliás elucidativo ver as caras contentes do público colunável, ao escutar os instrumentos musicais que acompanhavam a entrada de vinte ou trinta centímetros de ferro no corpo de um animal. O sangue a jorrar, o La Féria a ganhar e o país que nós somos a saltar.
Até o Alberto João gostou. O que é dizer tudo.
Portugal está de novo no seu melhor: 200.000 (ou 400.000, conforme as fontes) em Fátima, a escutar um homem que conta como Nossa Senhora desceu dos céus e meteu a mão à frente arma que iria matar o papa da altura.
O fado é atacado em plenos pulmões, com mulheres e selins, meninas das tranças pretas e quejandas.
E a tourada volta em esplendor a alegrar os serões monótonos.
Só falta ressuscitar o Marcelo Caetano e as suas conversas em família para estarmos de novo no 24 de Abril de 1974...
16 de maio de 2006
A FRASE DA SEMANA COM MATERNIDADES À MISTURA
O debate televisivo, na RTP, sobre o encerramento de alguns blocos de parto pelo país foi elucidativo.
As populações sentem-se por não poderem nascer na sua terra. Claro que isso já acontece com todas as pessoas que vivem em aldeias ou em vilas com poucos habitantes: o número não permite a manutenção do serviço. Mas, enfim, as pessoas aborrecem-se e a gente percebe.
Também ficou muito claro o papel dos políticos em tudo isto. Pelo Psd, foi o senhor Negrão (que parece, geriu a neo-pide portuguesa, o SIS, durante uns tempos, tirando isso, não sei o que terá feito) e que esgrimiu os argumentos mais cretinos e demagógicos da noite. Nem outra coisa seria de esperar de uma figura que transpira ambição e falta de inteligência por todos os poros. (Posso estar enganado..., claro, se assim for, aqui fica a retratação.).
Uma enfermeira de Braga veio lembrar aos pomposos obstetras que quem faz os partos quase todos são elas. Alombam com o esforço, sem glória nem salário.
Mas a declaração da noite veio da obstetra de Barcelos, um bocadinho atarantada com a direcção da conversa. Quase a finalizar o debate declarou convicta:
"Eu sou uma Vaginalista!"
Que dizer...? Que não está sozinha, no opção..., enfim...
O debate televisivo, na RTP, sobre o encerramento de alguns blocos de parto pelo país foi elucidativo.
As populações sentem-se por não poderem nascer na sua terra. Claro que isso já acontece com todas as pessoas que vivem em aldeias ou em vilas com poucos habitantes: o número não permite a manutenção do serviço. Mas, enfim, as pessoas aborrecem-se e a gente percebe.
Também ficou muito claro o papel dos políticos em tudo isto. Pelo Psd, foi o senhor Negrão (que parece, geriu a neo-pide portuguesa, o SIS, durante uns tempos, tirando isso, não sei o que terá feito) e que esgrimiu os argumentos mais cretinos e demagógicos da noite. Nem outra coisa seria de esperar de uma figura que transpira ambição e falta de inteligência por todos os poros. (Posso estar enganado..., claro, se assim for, aqui fica a retratação.).
Uma enfermeira de Braga veio lembrar aos pomposos obstetras que quem faz os partos quase todos são elas. Alombam com o esforço, sem glória nem salário.
Mas a declaração da noite veio da obstetra de Barcelos, um bocadinho atarantada com a direcção da conversa. Quase a finalizar o debate declarou convicta:
"Eu sou uma Vaginalista!"
Que dizer...? Que não está sozinha, no opção..., enfim...
12 de maio de 2006

AINDA A QUESTÃO DA PRODUTIVIDADE
Ontem fui obrigado a esperar 4 horas numa casa vazia pelo senhor da EPAL (companhia das águas). Poderia estar a trabalhar, a ajudar velhinhas a atravessar a rua, ou a limpar as paragens de autocarro das resmas de beatas... Mas não: se queria ter água na torneira tinha de aguardar entre as 14h e as 18h. Na ocorrência, o senhor chegou às 18.35h (o dia tinha-lhe corrido mal).
Escusado será dizer que solicitei que me dessem a hora exacta da ligação presencial. Ou a hora aproximada. Ou que me telefonassem um pouco antes. Que não. Que a regra é perder meio-dia de trabalho. E bem bom que não foram 8 horas...
Será que somos tão poucos a citar o nosso cavaco na sua única frase de jeito: "deixem-nos trabalhar"...?
8 de maio de 2006
OS PÉS NA TERRA E A MÃO NA MASSA
Descobriu-se, hoje, graças a um recado da Comissão Europeia, que o facto de se produzir pouco em Portugal conduzirá a uma pobreza generalizada em 2050. Imagino que antes disso, já seja chato por cá andar. Lá vão ter os nossos filhos que ir à arrecadação buscar as malas de cartão.
Nada a que não estejamos habituados.
Depois, lá fora, vão trabalhar normalmente. Dez vezes mais do que faziam cá dentro.
Então, de onde vem esta preguiça nacional?
Não tenho a certeza. Em parte, julgo que vem do rescaldo da pós-ditadura. Depois de 48 anos sem outro direito que não fosse o de encher o cu aos mais ricos (interessante, a lavagem revisionista que uma geração mais velha e ressentida está a fazer do 25 de Abril, com a cooperação ignorante de uma geração que não faz ideia do que foi a Pide, o corporativismo, ou a troca de favores entre os grandes empresários e bancários com um governo corrupto, enquanto a maioria dos portugueses tentava descolar a pele do fundo das costas...), a gente empregada, acreditou que tinha chegado a hora de ganhar sem fazer nada. Para isso contribuiram (e continuam a contribuir) as organizações sindicais, inspiradas em princípios que foram buscar sabe deus onde. A própria prática sindical, que movimenta massas para não perder os tachos que lhes pagam as rendas há 30 anos, é exemplo disso.
No outro dia, no Chiado, um grupo de "jovens ferroviários", manifestava-se em favor da não-alteração dos seus direitos. Além do inenarrável "Arre porra que é demais", tão em moda no mundo levanta-te e ri da CGTP, exigiam que não "lhes tirassem a Pausa". E sentavam-se, quando diziam isto. Não tinham um ar particularmente cansado. Mas ainda assim, de todos os "direitos adquiridos", a "pausa" era a que falava mais alto nos seus corações.
Enquanto professor (ocasional), tenho encontrado nos últimos anos duas coisas nas gerações mais novas: a) uma profunda ignorância e total desinteresse por acabar com ela. b) a sua primeira preocupação é que "não lhes dê trabalho". Querem ir para casa, ou para o computador "comunicar". Ignorância e preguiça tornaram-se a base da sociedade portuguesa.
O que esperar disto? A pobreza e a perplexidade, quando descobrirem (pela televisão) que a chuva de maná só ocorreu uma vez e foi há muito tempo.
Claro que ainda vão ter que ir ao google descobrir o que diabo era o maná...
Socorro! Tirem-me deste filme...
Descobriu-se, hoje, graças a um recado da Comissão Europeia, que o facto de se produzir pouco em Portugal conduzirá a uma pobreza generalizada em 2050. Imagino que antes disso, já seja chato por cá andar. Lá vão ter os nossos filhos que ir à arrecadação buscar as malas de cartão.
Nada a que não estejamos habituados.
Depois, lá fora, vão trabalhar normalmente. Dez vezes mais do que faziam cá dentro.
Então, de onde vem esta preguiça nacional?
Não tenho a certeza. Em parte, julgo que vem do rescaldo da pós-ditadura. Depois de 48 anos sem outro direito que não fosse o de encher o cu aos mais ricos (interessante, a lavagem revisionista que uma geração mais velha e ressentida está a fazer do 25 de Abril, com a cooperação ignorante de uma geração que não faz ideia do que foi a Pide, o corporativismo, ou a troca de favores entre os grandes empresários e bancários com um governo corrupto, enquanto a maioria dos portugueses tentava descolar a pele do fundo das costas...), a gente empregada, acreditou que tinha chegado a hora de ganhar sem fazer nada. Para isso contribuiram (e continuam a contribuir) as organizações sindicais, inspiradas em princípios que foram buscar sabe deus onde. A própria prática sindical, que movimenta massas para não perder os tachos que lhes pagam as rendas há 30 anos, é exemplo disso.
No outro dia, no Chiado, um grupo de "jovens ferroviários", manifestava-se em favor da não-alteração dos seus direitos. Além do inenarrável "Arre porra que é demais", tão em moda no mundo levanta-te e ri da CGTP, exigiam que não "lhes tirassem a Pausa". E sentavam-se, quando diziam isto. Não tinham um ar particularmente cansado. Mas ainda assim, de todos os "direitos adquiridos", a "pausa" era a que falava mais alto nos seus corações.
Enquanto professor (ocasional), tenho encontrado nos últimos anos duas coisas nas gerações mais novas: a) uma profunda ignorância e total desinteresse por acabar com ela. b) a sua primeira preocupação é que "não lhes dê trabalho". Querem ir para casa, ou para o computador "comunicar". Ignorância e preguiça tornaram-se a base da sociedade portuguesa.
O que esperar disto? A pobreza e a perplexidade, quando descobrirem (pela televisão) que a chuva de maná só ocorreu uma vez e foi há muito tempo.
Claro que ainda vão ter que ir ao google descobrir o que diabo era o maná...
Socorro! Tirem-me deste filme...
6 de maio de 2006
5 de maio de 2006
ABRANDAR
Anda tudo cá, pela cidade, a pensar em "como fazer os carros ir mais devagar". Parece que os atropelamentos estarão um cadinho acima do razoável. Na cãmara, vá o departamento de espremer as meninges. Para a 24 de Julho, onde todas as semanas se estropia alguém, estão a considerar um complicadíssimo sistema electrónico.
(suspiro)
Algum amigo brasileiro que esteja na sala, faça favor de dar um passo em frente e explicar o que quer dizer "quebra-molas".
ps: ...como ninguém se adianta, chego-me eu à frente, para dizer que se trata das lombas artificiais que atravessam as estradas, feitas de cimento e sinalizadas antecipadamente. Vou voltar a explicar (porque aquela gente é lenta) : umas saquinhas de cimento, mais umas de pedra, brita, ou o que houver, uns baldes de água, tudo misturado, deita-se horizontalmente na via e deixa-se secar. Quem passar por ali, tem duas opções: a) abranda, b) escavaca o carro todo.
Posso garantir que a eficácia é de 100%. Custa é tão pouco que não há-de dar lucro a ninguém próximo da vereação, helàs!
Muito simples para a nossa cagança, também.
Anda tudo cá, pela cidade, a pensar em "como fazer os carros ir mais devagar". Parece que os atropelamentos estarão um cadinho acima do razoável. Na cãmara, vá o departamento de espremer as meninges. Para a 24 de Julho, onde todas as semanas se estropia alguém, estão a considerar um complicadíssimo sistema electrónico.
(suspiro)
Algum amigo brasileiro que esteja na sala, faça favor de dar um passo em frente e explicar o que quer dizer "quebra-molas".
ps: ...como ninguém se adianta, chego-me eu à frente, para dizer que se trata das lombas artificiais que atravessam as estradas, feitas de cimento e sinalizadas antecipadamente. Vou voltar a explicar (porque aquela gente é lenta) : umas saquinhas de cimento, mais umas de pedra, brita, ou o que houver, uns baldes de água, tudo misturado, deita-se horizontalmente na via e deixa-se secar. Quem passar por ali, tem duas opções: a) abranda, b) escavaca o carro todo.
Posso garantir que a eficácia é de 100%. Custa é tão pouco que não há-de dar lucro a ninguém próximo da vereação, helàs!
Muito simples para a nossa cagança, também.
HOJE
comprei uma casa. Do tamanho de um lenço de assoar, é certo. E "comprei" é um exagero verbal atendendo aos próximos trinta e tal anos de dívida.
Mas, ainda assim, as paredes por pintar me pareceram amplas; cheias de promessas.
Algum livro escreverei ali dentro. Não sei é qual. Ainda está tudo em branco.
comprei uma casa. Do tamanho de um lenço de assoar, é certo. E "comprei" é um exagero verbal atendendo aos próximos trinta e tal anos de dívida.
Mas, ainda assim, as paredes por pintar me pareceram amplas; cheias de promessas.

Algum livro escreverei ali dentro. Não sei é qual. Ainda está tudo em branco.
4 de maio de 2006
MODELO SOCIAL
Hoje ouvi a mais extraordinária declaração de um político. Pareceu-me sincera.
O deputado (creio) do CDS (não me lembro o nome...) que participa do programa televisivo "A Quadratura do Círculo" afirmava que gostaria que em Portugal o Estado tratasse as pessoas da mesma forma, independentemente dos seus rendimentos. Historicamente a sua posição situa-se no final do feudalismo. Mas ao contrário. O que ele propõe, pressuponho, é que quem ganha mais desconte o mesmo, pague as mesmas taxas moderadoras nas instituições públicas e por aí fora.
É o princípio do "se és pobre, a culpa é tua".
No fundo estaria certo... Se a maioria dos portugueses não achasse que é melhor viver numa sociedade com menos miséria ainda que a maior riqueza pague um preço. Aquilo que os padres chamavam dantes "caridade" e que agora se pensa mais como "solidariedade" (que é o mesmo sem pedir o beija-mão agradecido).
Por falar em desgraças. 85% dos pensionistas portugueses ganham menos que o salário mínimo nacional português. E o número impressionante de 3000 ganha reforma milionárias.
Fiz uma conta por alto (ainda inspirado pela presidência cavaquista) e em números redondos diria que estes eurototalistas levam do erário cerca de 15 milhões de euros por mês. Ou seja, o equivalente a 42.858 reformados normais.
Alguém que me explique a razão por que esta situação me deixa perplexo...
Hoje ouvi a mais extraordinária declaração de um político. Pareceu-me sincera.
O deputado (creio) do CDS (não me lembro o nome...) que participa do programa televisivo "A Quadratura do Círculo" afirmava que gostaria que em Portugal o Estado tratasse as pessoas da mesma forma, independentemente dos seus rendimentos. Historicamente a sua posição situa-se no final do feudalismo. Mas ao contrário. O que ele propõe, pressuponho, é que quem ganha mais desconte o mesmo, pague as mesmas taxas moderadoras nas instituições públicas e por aí fora.
É o princípio do "se és pobre, a culpa é tua".
No fundo estaria certo... Se a maioria dos portugueses não achasse que é melhor viver numa sociedade com menos miséria ainda que a maior riqueza pague um preço. Aquilo que os padres chamavam dantes "caridade" e que agora se pensa mais como "solidariedade" (que é o mesmo sem pedir o beija-mão agradecido).
Por falar em desgraças. 85% dos pensionistas portugueses ganham menos que o salário mínimo nacional português. E o número impressionante de 3000 ganha reforma milionárias.
Fiz uma conta por alto (ainda inspirado pela presidência cavaquista) e em números redondos diria que estes eurototalistas levam do erário cerca de 15 milhões de euros por mês. Ou seja, o equivalente a 42.858 reformados normais.
Alguém que me explique a razão por que esta situação me deixa perplexo...
3 de maio de 2006
NADAR EM SECO
A cãmara de Lisboa continua de vento em popa. Cada tiro, cada melro.
A última é a decisão de impedir a ida ocasional dos munícipes às piscinas públicas. Ou antes, podem ir, mas com novo equipamento. Por exemplo, se um de nós se lembrar de pegar nas crianças e ir ao domingo de manhã à piscina do Areeiro, por exemplo, vai dar com o nariz na porta, se não levar uma declaração médica para cada membro da família. O atestado, até agora obrigatório apenas para as aulas, passa a ter de fazer parte da nossa carteira se quisermos nadar nas piscinas criadas e mantidas com os nossos impostos. Como a validade é de 6 meses, seremos obrigados a largar 60 ou 70 euros por um papelito duas vezes por ano, vezes o número de membros da família. Ou a perder dois dias de trabalho por ano, para ir ao médico de família (se conseguirmos consulta).
Claro... que este gesto paternalista, em prol da nossa condição cardíaca, poderia ser substituida por um papelinho, assinado à entrada, em que ilibávamos de responsabilidades a entidade camarária.
Mas, claro, o lóbi dos médico (que é distinto dos próprios médicos, bem mais honestos e simples) aliado à patetice camarária prefere uma situação mais onerosa.
Enfim, lá vamos pôr a natação de parte.
A cãmara de Lisboa continua de vento em popa. Cada tiro, cada melro.
A última é a decisão de impedir a ida ocasional dos munícipes às piscinas públicas. Ou antes, podem ir, mas com novo equipamento. Por exemplo, se um de nós se lembrar de pegar nas crianças e ir ao domingo de manhã à piscina do Areeiro, por exemplo, vai dar com o nariz na porta, se não levar uma declaração médica para cada membro da família. O atestado, até agora obrigatório apenas para as aulas, passa a ter de fazer parte da nossa carteira se quisermos nadar nas piscinas criadas e mantidas com os nossos impostos. Como a validade é de 6 meses, seremos obrigados a largar 60 ou 70 euros por um papelito duas vezes por ano, vezes o número de membros da família. Ou a perder dois dias de trabalho por ano, para ir ao médico de família (se conseguirmos consulta).
Claro... que este gesto paternalista, em prol da nossa condição cardíaca, poderia ser substituida por um papelinho, assinado à entrada, em que ilibávamos de responsabilidades a entidade camarária.
Mas, claro, o lóbi dos médico (que é distinto dos próprios médicos, bem mais honestos e simples) aliado à patetice camarária prefere uma situação mais onerosa.
Enfim, lá vamos pôr a natação de parte.
2 de maio de 2006
O PRAZER DOS OUTROS
Entrevistaram-me, ontem, a propósito desta minha mania de, uma vez por ano, organizar um workshop de "escrita livre". Em que autores fundamentava as minhas teorias? Onde tinha aprendido? E se dessas moitas já tinha saído coelho? Foi bom, porque percebi que a resposta era negativa em quase todos os casos. Menos no último, já que vi emergir da neblina dos seus textos várias pessoas. Algumas continuam a escrever. Algumas publicarão, para bem de nós todos, um dia destes.
Neguei (e continuo pouco interessado) os manuais do "Como escrever um livro". Os americanos pelam-se por isso. Os espíritos mais simples, ídem. Mas nem a literatura se faz de simplismos, nem nós necessitamos de mais livritos razoavelmente escritos. A criação literária é uma chatice incómoda. Vem de dentro para fora. Como um parto. Como um bebé sujo de placenta e líquidos em que não apetece pegar, quanto mais mostrar ao mundo. Sabe-se que alguém o amará e que temos de o proteger, mas não é bonito, objectivamente falando. Mas é desse montinho de carne que mexe que virá o futuro. A escrita, a verdadeira, é sobre o que não se conhece. É por isso que é tão difícil ser escritor.
Só os patetas não entendem isto. Os ignaros que se refugiam nas teorias literárias para tentar provar o que é bom e o que é mau.
Os exercícios de escrita que proponho são inúteis para quem quer ser como os escritores que admira. Esses existiram e agora estão mortos, excepto nos seus livros. Nunca mais voltarão em carne ou gesto. Só nos resta ser o outro. Ainda que o outro seja menor.
Entrevistaram-me, ontem, a propósito desta minha mania de, uma vez por ano, organizar um workshop de "escrita livre". Em que autores fundamentava as minhas teorias? Onde tinha aprendido? E se dessas moitas já tinha saído coelho? Foi bom, porque percebi que a resposta era negativa em quase todos os casos. Menos no último, já que vi emergir da neblina dos seus textos várias pessoas. Algumas continuam a escrever. Algumas publicarão, para bem de nós todos, um dia destes.
Neguei (e continuo pouco interessado) os manuais do "Como escrever um livro". Os americanos pelam-se por isso. Os espíritos mais simples, ídem. Mas nem a literatura se faz de simplismos, nem nós necessitamos de mais livritos razoavelmente escritos. A criação literária é uma chatice incómoda. Vem de dentro para fora. Como um parto. Como um bebé sujo de placenta e líquidos em que não apetece pegar, quanto mais mostrar ao mundo. Sabe-se que alguém o amará e que temos de o proteger, mas não é bonito, objectivamente falando. Mas é desse montinho de carne que mexe que virá o futuro. A escrita, a verdadeira, é sobre o que não se conhece. É por isso que é tão difícil ser escritor.
Só os patetas não entendem isto. Os ignaros que se refugiam nas teorias literárias para tentar provar o que é bom e o que é mau.
Os exercícios de escrita que proponho são inúteis para quem quer ser como os escritores que admira. Esses existiram e agora estão mortos, excepto nos seus livros. Nunca mais voltarão em carne ou gesto. Só nos resta ser o outro. Ainda que o outro seja menor.
24 de abril de 2006
A SEMANA AO TOQUE DA CORNETA!
Chega a 2a-feira à bruta. Com campainhas de porta, manhã cedo. Carteiros trazendo coisas registadas que se são registadas serão por certos coisas, e dificilmente boas. O sol está lá fora, valha-nos isso, mas aqui dentro ainda não aquecemos. É mais o entorpecimento do fim-de-semana que não aconteceu.Que alguém mande chamar o criado que toma conta da carruagem das vitaminas! Please.
Chega a 2a-feira à bruta. Com campainhas de porta, manhã cedo. Carteiros trazendo coisas registadas que se são registadas serão por certos coisas, e dificilmente boas. O sol está lá fora, valha-nos isso, mas aqui dentro ainda não aquecemos. É mais o entorpecimento do fim-de-semana que não aconteceu.Que alguém mande chamar o criado que toma conta da carruagem das vitaminas! Please.
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